O Pai andava com seu filho bem jovem, passeando pelas redondezas, quando o filho avista um belo jardim e comenta com seu pai:
- Que lindas flores papai!
- Sim, meu filho, lindas flores que alguém plantou e cuidou tão bem. Veja que a idéia não foi só para satisfação dele, está atingindo a nossa satisfação em apreciar esta beleza, que nos transmite amor e paz!
- O que é transmitir paz, papai?
- Sabe meu filho, é a sensação de harmonia, de serenidade, de que existe algo que não se pode contestar que traz felicidade!
- Existe alguém que não deseje a paz, papai?
- Bem, a questão nem sempre é de desejar, mas o desejo de paz, a idéia de paz, a intenção de paz com ação para se ter paz, é uma grande conquista para todos. O pior de não se ter paz é ter guerras!
- O que é uma guerra, papai?
- Meu querido filho, a guerra é a ausência da paz! É uma situação de confronto de interesses, muitas vezes sem perceber o quanto estão prejudicando a si mesmos e aos outros.
Aqueles que entendem de guerra desejarão a paz e muitas vezes, a busca da paz precisa passar pela experiência da guerra, daí é que vem o desejo imenso de que toda a humanidade tenha paz!
Continuando a caminha, o jovem filho percebe que uma senhora está dando alimento para seus animais domésticos e que muitos estão brigando entre si...
- Por que eles estão brigando, papai?
- Eles estão brigando pela comida, mas se compreendessem que alguém poderia manter sempre a boa alimentação, eles não iriam fazer esta guerra entre si!
- Isto é porque eles são animais, não é papai?
- Não meu filho, os humanos também morrem de fome e muitas vezes precisam brigar pela comida!
- Sério papai, eu nunca vi alguém brigar pela alimentação, só estes animais...
- Pois é, meu filho, mas existem pelo mundo muitas pessoas passando fome, e até brigando e morrendo pela simples alimentação...
- Então por que a gente não ajuda para que todos tenham ao menos alimento e as necessidades básicas para viverem em paz?
- Ah, meu querido filho, muitos estão querendo isto e poucos fazendo para que isto aconteça, e nós precisamos também fazer alguma coisa por todos eles, pela humanidade.
- Mas como podemos fazer isto, somos tão ricos assim, papai?
- Não meu filho, não somos ricos, apenas temos paz que é uma riqueza bem maior, assim poderemos através da conscientização do que seja a Paz, mudar muito na cultura de um povo, com nosso exemplo, nossa participação e principalmente nossa intenção de que todos os corações do mundo possuam a paz, assim não teríamos mais guerras, fomes, domínios políticos, desejo de riqueza de alguns e pobreza de outros.
- Papai, eu gostaria tanto de poder ajudar na Paz Universal.
- Que bom, meu querido filho, só em pensar e desejar isto, você já está ajudando, e se um dia puder fazer mais que isto, eu ficarei muito feliz por você e por todos que compreenderem o significado da PAZ.
BONSAI
Celito Medeiros
É um cultivo bem conhecido no oriente, especialmente no Japão.
Você pega uma semente de uma grande árvore e a planta em um vaso.
Ela nasce como uma árvore normal, mas desenvolve-se como uma árvore Anã.
Ela tem todas as características de sua Origem, porém é muito pequena, talvez menor do que um pequeno broto ou galho de uma árvore que é a sua origem.
Se uma arvorezinha BONSAI fosse comparada à sua própria Origem, seria muito difícil e para alguns impossível compreender o que aconteceu para esta minúscula árvore não ter conseguido ser uma Grande Árvore.
O que aconteceu?
Apenas o MEIO em que a semente germinou e cresceu era restrito, era uma prisão, não era o 'ambiente ideal', pois 'condicionaram' aquela semente para ela ser um BONSAI.
Vejo 'tantos Bonsais' não reconhecendo suas origens, não podendo CAUSAR grandes efeitos e não se reconhecendo como uma GRANDE ÁRVORE, apenas por sua aparência, mas a ORIGEM era a mesma!
O que fazer para um BONSAI poder ser uma GRANDE ÁRVORE?
Pois é, esta a resposta para se poder compreender a GRANDE ÁRVORE!
Todos os bonsai eram assemelhados à grande árvore! Eram a grande árvore!
Por mais que alguém possa dizer ao Bonsai, VOCÊ é a grande árvore que está reduzida, presa em 'redomas' neste planeta Terra, e nem tem condições de compreender a grandeza do Universo, nem sabe sobre suas origens, então, ficará apenas apreciando uma ´GRANDE ÁRVORE', sem ânimo ou conhecimento para ser ela própria!
Até quando?
E os que são Grandes Árvores nada poderão fazer, mas torcer para que o BONSAI encontre a LIBERDADE e cresça à sua própria altura.
Por isto os que CULTIVAM a planta Bonsai, cultivam o saber de si mesmos!
MEMÓRIA DE PASSARINHO
Celito Medeiros
Em um tempo bem distante e quase infinito, reuniram-se todos os Deuses para trocarem experiências, comentarem o que haviam feito e o quanto eles puderam melhorar suas qualidades originais de antes do começo de tudo...
Já por diversas vezes reunidos, elegeram o líder, juízes, anotadores e demais participantes do quadro de julgamento do que faziam ou competiam. Sempre que uma ação era começada, continuada e parada, eles se reuniam para discutirem o que foi bom e o que não desejam mais para os próximos eventos.
Nesta ocasião em especial, estavam tratando de um novo divertimento ou jogo, para testarem suas condições melhoradas e poderem adquirir evoluções para distrações ou competições cada vez mais elaboradas.
A experiência que agora decidiram fazer e provar o efeito, um portal para uma grande floresta cheia de vida.Flores, frutas, animais, muitos rios, planícies e montanhas. Eles seriam os pássaros! Viveriam como passarinhos por um milhão de anos. Sabiam eles, de antemão, que seus corpos não resistiriam tanto e que teriam vida após vida em corpos de passarinhos até que esta ação fosse parada ou terminada no prazo previsto. Quando esta experiência terminasse, voltariam ao estado original de espíritos Deuses e iriam se reunir para preparar uma nova ação mais avançada e com outras barreiras, um jogo sempre melhor...
Fora do jogo de corpos de passarinhos, ficou apenas a comissão que assistiria esta aventura, seriam os guardas do lado de fora. Afinal, todos os Deuses em corpos de passarinhos, não teriam as condições básicas ou memória de quem de fato eram antes do jogo, esta era a grande barreira. Não poderia mesmo ser diferente, viver em corpos de passarinho e ao mesmo tempo serem Deuses não seria possível ou não teriam barreiras, portanto, não teriam vitórias!
E assim, os Deuses entraram no portal para viverem como passarinhos, naquela linda floresta. Cada um havia escolhido que passarinho desejaria ser e assim foi.Sim, foi muito divertido. Passava o tempo, morriam os corpos e eles então, ficavam à procura de novos ninhos em suas famílias, em busca de ovos para fazerem ali seus novos corpos. Claro que algumas vezes tinham que enfrentar fila, mas sempre davam um jeito de assumirem novos corpos, sem se darem conta de que de fato, ERAM DEUSES!
Do lado de fora, tudo era acompanhado pela comissão. Possivelmente não era tão divertido como estar lá vivenciando aquela experiência. Porém, tiveram também suas experiências e mente desocupada... (???)Um Deus da comissão teve uma idéia brilhante no ponto de vista dele. Não se preocupou em pensar no ponto de vista dos que estavam no jogo como passarinhos, ao contrário, achou muito divertido, sem que ninguém soubesse na comissão, fazer um joguinho particular: Ele iria interferir, fazendo com que os passarinhos dependessem para tudo, ou seja, criou a condição de que ele é quem havia criado tudo, incluindo os próprios passarinhos!
Quando a experiência acabou, um milhão de anos depois, foi des-criado o portal e pouquíssimos Deuses retornaram à condição original. Os demais passarinhos continuavam pensando que eram criaturas passarinhos e não os próprios criadores do campo de jogo ou a floresta... Agora, apenas em espírito, todos estes passarinhos ficaram prisioneiros daquele Deus da comissão!
Insistentemente os Deuses que conseguiram sair sem ficarem presos nas armadilhas, tentaram convence-los de que eles não eram passarinhos. Não funcionava. De fato, tentaram de tudo, até que desconfiaram de que algo fora do jogo havia acontecido...
Reuniram-se todos os que haviam conseguido sair do jogo e a comissão, para discutir esta questão dos Deuses presos no jogo. O que poderiam fazer?
E o Deus sacana calou, dava apenas pistas falsas e idéias que não levariam a nada. Então, só havia de fato uma maneira de resolver. Descobrir o que havia acontecido!Muito tempo passou até que finalmente um dos Deuses descobriu que todos os demais passarinhos foram vítimas do Deus da comissão, pois conseguiu provar como ele teria feito isto e porque alguns não tinham ficado presos na estratégia dele.Afinal, apenas os que nunca deram bola para aquele Deus, não foram presos por sua vontade e traição, não deram ouvidos para ele, nem mesmo na condição de passarinhos, era algo muito forte dentro deles mesmos.
Enfim, o causador de tudo descoberto, a maneira como fez a trapaça também, mesmo assim tiveram dificuldade em passar isto para os passarinhos prisioneiros que só obedeciam ao Deus da comissão. Os prisioneiros estavam na condição de passarinhos, não tinham condição de compreender tudo aquilo, suas mentes eram desprovidas da memória divina!
Então, só houve uma solução: Começar o jogo novamente, para poder então, libertarem os passarinhos prisioneiros daquela condição.
Não pensem que foi algo fácil. Afinal, apenas membros da comissão é que tinham a memória de tudo, da verdade, da origem de tudo para fazerem com que os passarinhos religassem às condições básicas que possuíam.
Finalmente, chegaram à conclusão que um membro da comissão iria para a floresta com a intenção de ajudar os demais a compreenderem a situação, precisava ele ter também um corpo de passarinho!
Quando este bom deus da comissão foi viver com os demais, percebeu que a dificuldade era muito maior do que os de fora pensavam. Tentou diversas formas de fazer com que os passarinhos compreendessem o jogo e que eles próprios eram Deuses e não criaturas. Que aquele que eles admiravam não era o deus que eles elegeram como líder do jogo, mas um outro que os havia traído. Passou diversos ensinamentos, meios como os passarinhos poderiam se tocar, mas nada adiantava... Até que ele próprio perdeu o corpo de passarinho. Mas, ele tinha uma condição diferente dos demais, não estava preso nas armadilhas do Deus da comissão.
Assim, este bom Deus da comissão, novamente teve um corpo de passarinho, agora com mais experiência no sentido de tentar salvar os demais. Quando novamente começou a contatar os passarinhos, com mais incisão, com até certa rebeldia com os costumes deles, alguns até tentaram compreende-lo, mas a grande maioria queria mesmo é que ele morresse! Ele insistiu e disse que voltaria novamente.
A última notícia que eu soube é que ele voltou e com mais experiência ainda (agora mestre de jogos), conseguiu finalmente a liberdade de alguns passarinhos e estes, não abandonaram a floresta, continuaram a viver nela para poderem levar a liberdade para os demais. Não está sendo fácil, os passarinhos nem imaginam, mas existe certeza de que todos eles conseguirão finalmente compreenderem o jogo, entenderem que também eram Deuses e que juntos em concordância haviam criado tudo!
Este se tornou o jogo dos jogos, afinal, era o jogo de libertação!
PONHA UM TUBARÃO NO SEU TANQUE
Celito Medeiros
Os japoneses sempre adoraram peixe fresco. Porém as águas perto do Japão não produzem muitos peixes há décadas. Assim, para alimentar a sua população, os japoneses aumentaram o tamanho dos navios pesqueiros e começaram a pescar mais longe do que nunca. Quanto mais longe os pescadores iam, mais tempo levava para o peixe chegar. Se a viagem de volta levasse mais do que alguns dias, o peixe já não era mais fresco. E os japoneses não gostaram do gosto destes peixes. Para resolver este problema as empresas de pesca instalaram congeladores em seus barcos. Eles pescavam e congelavam os peixes em alto-mar. Os congeladores permitiram que os pesqueiros fossem mais longe e ficassem em alto mar por muito mais tempo. Entretanto, os japoneses conseguiram notar a diferença entre peixe fresco e peixe congelado, e é claro, eles não gostaram do peixe congelado.
Deste modo, o peixe congelado tornou os preços mais baixos. Então as empresas de pesca instalaram tanques de peixe nos navios pesqueiros. Eles podiam pescar e enfiar esses peixes nos tanques, "como sardinhas". Depois de certo tempo, pela falta de espaço, eles paravam de se debater e não se moviam mais. Eles chegavam cansados e abatidos, porém, vivos. Infelizmente, os japoneses ainda podiam notar a diferença do gosto. Por não se mexerem por dias, os peixes perdiam o gosto de frescor. Os japoneses preferiam o gosto de peixe fresco e não o gosto de peixe apático.
Então, como os japoneses resolveram este problema? Como eles conseguiram trazer ao Japão peixes com gosto de puro frescor? Se você estivesse dando consultoria para a empresa de pesca, o que você recomendaria? Quando as pessoas atingem seus objetivos tais como, quando encontram um namorado maravilhoso, começam com sucesso numa empresa nova, pagam todas suas dívidas ou o que quer que seja, elas podem perder as suas paixões. Elas podem começar a pensar que não precisam mais trabalhar tanto, então relaxam. Elas passam pelo mesmo problema que os ganhadores de loteria que gastam todo seu dinheiro, o mesmo problema de herdeiros que nunca crescem e de donas de casa, entediadas, que ficam dependentes de remédios de tarja preta.
Para esses problemas, inclusive no caso dos peixes dos japoneses, a solução é bem simples. L. Ron Hubbard observou no começo dos anos 50. "O homem progride, estranhamente, somente perante a um ambiente desafiador". Quanto mais inteligente, persistente e competitivo você é, mais você gosta de um bom problema. Se seus desafios estão de um tamanho correto e você consegue, passo a passo, conquistar esses desafios, você fica muito feliz. Você pensa em seus desafios e se sente com mais energia. Você fica excitado em tentar novas soluções. Você se diverte. Você fica vivo! Para conservar o gosto de peixe fresco, as empresas de pesca japonesas ainda colocam os peixes dentro de tanques. Mas, eles também adicionam um pequeno tubarão em cada tanque. O tubarão come alguns peixes, mas a maioria dos peixes chega "muito vivo". Os peixes são desafiados.
Portanto, ao invés de evitar desafios, pule dentro deles. Massacre-os. Curta o jogo. Se seus desafios são muito grandes e numerosos, não desista. Se reorganize! Busque mais determinação, mais conhecimento e mais ajuda. Se você alcançou seus objetivos, coloque objetivos maiores. Uma vez que suas necessidades pessoais ou familiares forem atingidas, vá de encontro aos objetivos do seu grupo, da sociedade e até mesmo da humanidade. Crie seu sucesso pessoal e não se acomode nele. Se aposente, mas invente. Você tem recursos, habilidades e destrezas para fazer diferença. "Então, ponha um tubarão no seu tanque e veja quão longe você realmente pode chegar".
Manézinho e Antonie de Saint –Exupéry
(Celito Medeiros)
Certa vez, Antoine de Saint – Exupéry pousou seu pequeno avião em Campeche, Lagoa da Conceição, na Ilha de Florianópolis...
Estava feliz, tinha planos de negócios, passeios e conhecer pessoas diferentes!
Logo após taxiar seu monomotor, estava retirando sua bagagem quando ouviu um voz:
- Hei, senhor, eu poderia lhe ajudar?
Bem, sim, respondeu Antoine.
E logo aquele jovem começou a segurar parte da pequena bagagem do viajante.
Caminhando Antoine de Saint – Exupéry puxou conversa:
- Quem é você, meu jovem?
Sou um manézinho, senhor!
- E o que é ser um manézinho, meu jovem?
Bem, são pessoas como eu, vivendo em Sta. Catarina, cuja origem de família são as Ilhas dos Açores, respondeu orgulhoso o jovem auxiliar de manutenção de aeronaves daquele hangar.
E o senhor, quem é?
- Sou Antoine de Saint-Exupéry. um viajante, um cativador de amigos!
E o que significa ser cativador de amigos?
- Ah, é uma longa história que aprendi sobre um Príncipe e uma Raposa (blá blá blá...), e contou a história.
Ah, acho que compreendi, faço isto também com muitas coisas, mas não cativo, apenas faço por gostar de amar, de ter amigos!
- Sim, isto mesmo, ‘somos responsáveis por quem cativamos’!
Não, respondeu o manézinho, talvez por isto eu não cativo a dor, mas cultivo o que conquistei, não posso e não desejo ser responsável por algo ou alguém só porque me tornei amigo!
- É mesmo, sabe, eu não havia pensado nisto, ter amigos não é perder a liberdade ou se responsabilizar, acho que vou usar outro verbo de agora em diante...
- Sim, disse logo o manézinho, amizades vem e vão, umas ficam, outras não!
Ah, já ouvi esta frase, acho que é de Jedyan Brönner!
Não, disse o manézinho, esta frase é mesmo de um manézinho!
O mesmo que disse que verdadeiros laços são eternos, não importa se vem e vão, pois todos ficarão na Memória eternamente, e amigos... Sempre se encontram!
- Sempre, perguntou Antonie, até depois da morte?
Não, não existe morte para ninguém, só para o corpo de todos...
- Mas para onde vão os mortos, perguntou Antoine todo interessado na possível sabedoria do manézinho:
- Ora, vão para onde desejarem ou souberem como ir...
Até para outros planetas, sugeriu perguntar Antoine?
- Claro, senhor cativador Zé Perri, uma Alma livre não tem limites, nem precisa de avião para levar um corpo que não mais tem!
Hum, resmunga Antoine, acho que você me cativou,meu jovem!
Tudo bem, respondeu o manézinho, mas seja você mesmo o responsável,
e todos poderiam ser responsáveis por si mesmos, assim seria a liberdade.
E assim Antoine de Saint – Exupéry criou mais um laço de amizade,
Desta vez livre de ter responsabilidade, apenas gostar por simples prazer de gostar.
Amar por gostar de amar, aprender por gostar de mudar, de ensinar e também aprender.